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Bom Proveito

Bom Proveito

"Minha pátria à flor das águas/para onde vais?/Ninguém diz"?

25
Abr19

 

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Quando a palavra  "ação" volta a navegar os Douros, aqui deixo umas palavras desta faina de semana "fluvial" pelas palavras que têm escorrido pelas bocas dos meus compatriotas! Bem-aventurados os artistas. 

Manoel de OliveiraEduardo Lourenço, Manuel Alegre...De que trovas arde o meu país? O meu post diz a relatividade do tempo e aposta no euro milhões. Sem nada a ver com novos sebastianismos. O 25 de Abril é muito bom, é oportunidade para descobrirmos as janelas que nos trazem felicidade. A felicidade não é "dia sim, dia não", e pode não passar pelo muito ou pouco que se "tem". É mais simples do que parece, apesar de parecer estar tudo a quebrar-se.

As palavras dos homens contradizem-se. As que eles referem de outros, também. Noite bem triste de "vaga" " informação"? Pesadelo de curta-metragem e afinal o nosso salto em altura? Enquanto o nevoeiro vai teimando, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não", diz o poeta.

Mas quem põe preto no branco? Somos um país de touradas, e em política também me parece melhor uma boa pega. Mas não de cernelha. Cernelhas há todos os dias, e já cansam. Basta ver uma conferência de imprensa, ou as nossas caras no metro, ao fim do dia (ou mesmo bem cedo): "Levam sonhos deixam mágoas/ ai rios do meu país/minha pátria à flor das águas/para onde vais?/Ninguém diz."

A 33.ª curta-metragem do meu Beau toujours ficou pronta num Domingo, dia de Ramos. "Ó mãe, e se ele morre antes?" "Sabes lá quem morre antes!?" Fico paralisada por não saber afinal o que andamos aqui a fazer? Cada dia aparece sem que o queira. Tenha muito ou pouco, não é isso que me faz avançar. ..

Isto é trabalho de cada momento e por isso "encontrar a felicidade" é de uma longa metragem que não nos aliena. Não nos leva a jogar em pântanos, mas num euro milhões de oportunidades e oportunidades que nos acontecem cada momento. Batem-me e eu choco elas. Por isso quero saber o que andamos aqui a fazer. E pergunto. A propósito e a despropósito. Simples? É decidir "decidir" responder à pergunta: a vida é Mãe, ou não? Cada dia. O preço da liberdade!

Um refresh de D. Sebastião ? Não, obrigadinda Miguel Real. Prefiro "O Penitente", de Teixeira de Pascoaes. Ardo como trovas resistentes. Como "fogo que arde sem se ver". Avança Manoel! Tens Luz e Sombra, é és a Beleza em "carne e osso". Todo.

25 de Abril: qual a melhor parte?

25
Abr19

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 "Ação" e "contemplação" são globais, transversais, transcendentais e sustentáveis. E as comemorações do 25 de Abrial "começam" com o que vai dizer Marcelo, e os senhores que vão falar a seguir. E amanhã, se Deus quiser, é sexta-feira.

"Marta, Marta! Tu preocupas-te e andas agitada por muitas coisas.  Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada". O tema do "único necessário" faz parte da cultura ocidental, mas, dito e vivido de outra forma, é o pão nosso de cada dia da forma de pensar e agir orientais, e dos outros. Sim, porque o mundo não se divide em dois. Olha-se para Mandela e vejo a ação e contemplação em carne e osso. Não que eu quisesse ir 27 anos para a cadeia, mas quero ter a fibra dele, que escolheu e escolhe, seguramente, a melhor parte. Qual é para mim a melhor parte? Digo já.

Jesus não disse que o que importava era ser Maria e não ser Marta. Até porque a Tua Mãe, também de nome Maria, passava a vida a correr: a fugir para o Egipto, mal tinhas nascido; a correr de imediato para visitar a sua prima Isabel quando engravidou do teu primo João; atrás de ti, quando subias mais a Cruz; a pegar-te de novo ao colo, depois do horror, e a pôr-te num lugar mais decente; e depois a correr para o túmulo ao pressentir que tudo recomeçava de forma inimaginável. Um acontecimento ímpar, mesmo.

O que importa é escolher a "melhor parte". Quem não o quer? O problema é que muitas vezes é complexo escolher assim. E deixamos que escolham por nós. "Tudo bem", se for isso o que era afinal o melhor para mim e para os meus; "tudo mal", se assim sou enganada. Não queria estar na pele de Marcelo hoje. Mas também não sou ele, sou euCada um faz a sua parte.  E cada um é que vive, ou não, com a sua cabeça e seus pés e braços.

Parar é morrer e não há tempo para contemplações. Mãos à obra e faz o que Frei Tomás diz e não o que ele faz. O que diz ele? Para não fazer como a Aguilera, que esquece segunda-feira; nem como os Mamas and the Papas, que choram a segunda-feira toda. Ó bone Jesus: para Amar-Te e à Maria, pôr-vos à frente para ver e fazer "as good as it gets". Ter o coração nas mãos, o que quer dizer respirar sempre do casamento entre o orar e o laborar. Sem cessar. Porque sem respirar, morre-se. Não dizia eu há pouco que "ação" e "contemplação" são globais, transversais, transcendentais e sustentáveis?

Globais porque não há ponta de humano onde não se encontrem. E das formas mais inimagináveis. Transversais porque são uma espécie de tatuagem em cada gesto meu e teu, faça eu o que fizer, mesmo a dormir. Transcendentais porque acompanham o "ser".Sustentáveis porque têm uma razão para suceder. Para nos obter sucesso na vida. Como? Cabeça quente e fria - ao mesmo tempo -, a mão no arado e semear o bom vento numa terra bem tratada. O bom sítio para esta agricultura é a minha liberdade. As sementes? As que encontro no meu coração, que são aquelas que encontro quando "caio" em mim. Dá trabalho, dá. Mas é simples, à mão: basta querer "cair", em mim e por mim. Por isso é que sem esta "queda", sem este "buraco"(um beijinho daqui para ti, querido Sartre) vertiginoso, sem contemplação,  nada feito. Sem contemplação não há perspetiva: a vidinha vai sendo vivida, arrastada. Quero? Não. Quero uma vida com "V" capital, como dizem as minhas amigas portuguesas de Newark.Os pastéis de nata são melhores quando os como com elas.

melhor parte é "aquilo" que me corresponde. E saber isso, ninguém o faz por mim:  não há regra que não passe pela minha liberdade. Quero ser assim: pequena mas grande. A melhor parte. Não me venham com outras histórias. Esta não me será tirada: prometeram-me. E a ti, MandelaSe assim não fosse, como terias passado aquele tempo todo num quadradinho daquele tamanho? Explicou-me anteontem uma amiga, que se tu abrisses os braços em forma de cruz, embatias com as duas "paredes" e que nem isso, portanto, podias fazer. Fizeste contudo, apesar de tudo e através de tudo, a melhor parte. Ninguém pode olhar para ti nos olhos e dizer que és uma farsa ou um esquema. És Marta, Maria, a outra Maria e o seu Filho. És tu, com "T" capital. Ainda havemos de comer um pastel de nata juntos. Onde? Tu escolhes...

Uma Catedral não se reconstrói

17
Abr19

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fotografia de capa do Jornal Libération, 16.04.2019

 

A Catedral Notre Dame de Paris ardeu. Não entro agora na questão de identificar a causa do incêndio, embora tenha a minha ideia. Hoje quero apenas dizer que todos os discursos de reconstrução são de uma impotência tal ao nível de quem desconhece mesmo o que é o catolicismo. Senhores Macrons deste mundo: uma catedral não se re-constrói.  O homem sim, pode ser reconstruído. E já agora, a Europa também. Haja vontade e  entendimento de História.  Mas muitos interesses se levantam. E o poder, a vontade e falta dele!

Agradeço as palavras simpáticas que o Presidente Macron dirigiu não só aos católicos, como aos  cidadãos de Paris e do mundo. E entendo o que disse , referindo-se à Catedral, ainda em chamas, mesmo por detrás dele:"Vamos em conjunto reconstruí-la!" Mas a "fiérté", Mr Macron, a dos bombeiros, a dos políticos, não tem pernas para andar. As chamas devoraram o tempo. A não ser que se refira, a construir um símbolo. Pergunto eu "de quê"? e "para quê"?

Como se pode reconstruir o que já não existe e foi obra de vidas, de séculos? Aqui não há operações plásticas. Nem estou a falar de duas torres de cimento e de terrorismo. Acabou-se o tempo e as obras da Catedral. Agora contruir seja o que for não apaga a vida de uma Igreja milenar, essa sim indestrutível. Mas para se entender isto é preciso entender o Catolicismo. Não, quem não sabe o que é mesmo o Catolicismo não pode dizer que sente muito bem o que nós sentimos.

O Catolicismo é algo deste mundo, embora seja uma coisa fora deste mundo. Um Homem excepcional e 12 amigos por eles escolhidos viveram uma amizade que se prolongou e chegou até mim. Inexplicável preferência do Deus que se fez homem, nesta semana santa  iluminado nos Seus passos até dar a Sua Vida por mim. Aliás, o Cristianismo no seu todo não é um discurso. O Cristianismo é Cristo.

A Igreja de Cristo está construída sobre a Rocha, e é por isso que as "portas do inferno nada podem contra Ela". Não são os discursos que mudam. Só uma Presença muda. Uma Catedral não se reconstrói, Mr Macron, os homens sim, foram  - e são - reconstruídos, em TRÊS DIAS e sem recolha de fundos. Graças a Deus que sou livre de aceitar o que me foi dado. Notre Dame de Paris, é a nossa Notre Dame.Obrigada pelo cuidado, mas do que precisamos mesmo é de homens novos que são alimentados por uma esperança que vem "antes", como tantos santos ( e tantos deles franceses), o testemunham e testemunharam! São vidas entregues, muitas delas mártires, muitas que viram a ação do fogo nos seus próprios corpos. Olhe a sua Santa Joana! Esses sim resistem ao impacto do tempo porque quem os sustenta é a própria Resistência. "Cristo é a Resistência", reconheceu no sábado o Pe. Julián Carrón. Nem de propósito.

Não vamos ser nós a reconstruir Notre Dame, Mr Macron,  é Ela que nos reconstrói!

 

Uma Semana Santa, que pode ser bem Proveitosa!

World Photo Awards: os discursos estão sujos!

12
Abr19

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"Living Among What’s Left Behind". Foto: Mário Cruz

 

Fico muito satisfeita com estes awards todos. Mas merecemos mais. A corrupção já perdeu a cara, já não há saco (saco! hi! hi!) para tanta barulheira. E muito menos para bandeiras ambientais e quejandas. Não é que não adore "alertas". E fotografias como estas fazem mais que muitos discursos. Mas quem quer ignorar as injustiças? Oiço tantos discursos, tantas intenções: lixo! Raras são as excepções (bom tema para um próximo post).

E agora em clima pré-eleitoral, até me espanto com os desplantes que vêm de todos os quadrantes. E nem falo das caridades, nem das religiões.  O Jordan Peterson mais uma vez falou verdade ao dizer que mais importante do que dizer que religião tenho, o que é decisivo são as minhas atitudes; elas revelam presupostos que ignoro, mas que se mostram no que faço, a minha fé. E o meu querido Pasolini, ateu confesso, mostrou Jesus como ninguém no mundo da sétima arte,  no filme "Evangelho segundo Mateus".

Li  algures: "esta é a segunda vez que Mário Cruz, de 31 anos, é premiado no World Press Photo. Em 2016, o português conquistou o primeiro lugar na categoria Temas Contemporâneos do World Press Photo, com um trabalho sobre a escravatura de crianças - dos meninos Talibés - no Senegal ("Talibés - Modern Days Slaves"), que deu origem a um livro, depois de publicado na Newsweek, e que constituiu um alerta global. No Senegal, foram distribuídos panfletos com fotografias feitas por si, tendo sido resgatadas centenas de crianças." 

 

E pergunto: este mundo que andamos a constriuir que Award merece? Em que pressupostos assenta! Que fé ou descrença mostra?

Não quero que vivamos nem no lixo, nem no luxo. Todos gostaríamos que assim fosse, eu sei.  Contas feitas, isto chegava para todos. Mas a malta gosta destas cerimónias!

Nem quero o "imagine", quero sim "fazer o que ainda não foi feito!" Cuidado que o céu pode cair na minha cabeça. Ou em versão soft: cuidado com as trotinetes!

Jornal Observador: já não observas?

11
Abr19

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Pois parece que não. Acabaste no "jornalismo" Maria vai com as outras, neste caso o "El País" e o "New York Times" (serão as novas bíblias?) , como reconhece o genial artigo do Pe Pedro Quintela, ele sim um jornalista. Um homem humano, de obra feita,  da qual a Associção dÁcor é apenas a ponta de um gigantesco iceberg de vidas que se renovam cada dia. Vidas retiradas do abandono, do desespero. 

Hoje quero dizer umas coisas sobre o Jornalismo que há. O  assunto prende-se aos abusos sexuais de pessoas, de menores, por parte do clero. Mas o que digo pode ser observado em relação a tudo.

A Observações tantas, afirma  o Pe Pedro Quintela: «a “irrepreensível” ética do Observador, infectada de duplicidade, manifesta-se no facto de estar obcecado com os pecados sexuais do clero mas ser mais generoso com as celebridades da vida pública portuguesa que viveram, ou vivem, sordidezes idênticas às agora “denunciadas”. Pois eis que não cessa de investigar os padres e de desculpar toda essa outra gente. /De facto, para um jornal se apresentar como idóneo não basta citar idêntica prática do “New York Times” ou do “El Pais” como o fez um seu director. Assim apenas se prova que pertencem à mesma internacional de esbirros, como sempre lançando uma nuvem de fumo sobre a sua pureza ideológica. Em certa altura chamou-se-lhe Inquisição. Mais recentemente, também, teve o nome das sucessivas polícias de costumes contra os impuros com outras ideias e vícios. Sempre as “ditaduras” perseguiram com razões puras e implacáveis os vícios. Veja-se a lista dos condenados por "vícios” nos campos de concentração originários em todas as latitudes dos impérios do século XX."

"Na verdade, como podem tais jornais dizer-se interessados em proteger as crianças? E  como sinal ínfimo desta farsa e hipocrisia, atente-se ao facto de nenhum orgão de comunicação se interessar com o que se passa por detrás dos ecrãs no que se refere às novelas, à publicidade e ao cinema que as “usa”, às crianças. Evidentemente que para as proteger serão também necessários jornalistas. 

Mas outros."

Um dos filósofos que trago sempre comigo afirma que pouca observação e muito pensamento leva ao erro; muita obesrvação e pensamento que baste, leva à verdade.

Leiam o artigo do homem discreto, e façam BOM PROVEITO! Os intelectuais são assim como eles, fazem a cultura, e o jornalismo, que precisamos. E assim salvam vidas.  Estão vivos, presentes!

 

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias, * 
   para chegarmos à sabedoria do coração. 
Voltai, Senhor! Até quando?... * 
   Tende piedade dos vossos servos.
salmo 89 (90)

A verdade liberta mesmo?

10
Abr19

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Será que a verdade liberta? Pão pão, queijo queijo, ainda vale?Tudo me passa agora na cabeça. Nestes dias, que não são apenas quaresmais, nestes minutos  que têm presentes, e muito mediaticamente até, as corrupções de hoje e as passadas e as futuras.  Futuras sim, porque cada gesto meu tem uma implicação no tempo que ainda virá, uma implicação até ao fim, que  é incalculável . Não sabemos o dia de amanhã  (e o dia de hoje ainda vai a meio...). Mas implicar é um dos verbos fashion. Como o verbo impactar. E mais uma meia dúzia deles. Mas este post sublinha outro ponto.

Insisto: o imprevisto ronda e é horizonte (Husserl não dormiu no essencial; perdoo-lhe os esquecimentos, ou a preguiça...mas para isso lançou o movimento fenomenológico, grande herança...).

Penso nos inocentes, condenados injustamente, e fechados nas prisões, ou linchados na praça global. Ou os de alto gabarito, de pulseiras electrónicas,e aposentos fiches.  De todos se ouve de tudo. Os que esclarecem, defendem, tudo muito oportunamente e muitas vezes num inchaço de oportunismo que envergonha; criminoso, cretino.

Inocentes, de fonte segura digo e defendo: o Cardeal Pell, o arcebispo de Lyon, o Padre de Almada. Já ouvi dizer que o "o Observador transformou-se no Correio da Manhã dos ricos." Pura e dura perseguição à Igreja. O pai da mentira adora espalhar a confusão, a dúvida.

Contudo a verdade das coisas, as coisas, firmes,se mantêm. Por alguma razão "truth" e "tree" soam ao mesmo: não posso ignorar a árvore no caminho. Apesar de passar tudo, e de todos estarem passados, no passa nada. Há coisas que não mudam. Uma boa caipirinha, uma cervejola, um por de sol, as ondas do mar, as planícies, os cimos das montanhas...

Verdade, ou chamemos-lhe o que se quiser! Em grego é Aletheia, luz, desvelamento:  coisas que o pai das trevas não aprecia.... O pai da mentira adora espalhar  o escuro.

Verdade, em latim, é a do in vino veritas. Quem não entende? Aqui temos a verdade como o "sabor das coisas". Daí o entender a sabedoria como o saborear.

O que hoje quero dizer é que a vida não é apenas uma questão de lógica. Dizer que a experiência que vivo de chamar as coisas pelo "seu" nome desentope o cano! Dá-me uma espécie de voo livre que me renova o dia.  Distingo o preto, do branco, e dos cinzentos. "A verdade vos libertará": «Então, disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: “Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (Jo8, 31-32)». É, não é? Somos crucificados, a Páscoa é também nossa, e para quem a apanhar...

Nada escapa à Misericórdia, como bem notou o filósofo Emmanuel Mounier. Acaba de sair "Cartas sobre a Dor" (Tenacitas, 2019) . Devorei, Façam também Bom Proveito!

 

Ensinai-nos a contar os nossos dias, * 
   para chegarmos à sabedoria do coração. 
Voltai, Senhor! Até quando?... * 
   
salmo 89 (90)

 

 

Uma Familia Numerosa...

08
Abr19

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É com tristeza que vejo o meu país a focar-se num ponto: nos familiares do Governo no Governo, ou em cargos afins. Em véspera  de eleiçoes europeias e legislativas é disto que se fala. E mete declarações de todos os partidos, do anterior Governo, e todos falam. Os Media agradecem porque assim têm pano para mangas. E até do Presidente da República se ouvem declarações.  E fazem-se contas, de quem "meteu" mais gente. E diz--que o PS passou os limites: é mesmo uma família numerosa que nos governa. E as relações entre ética e política, de quem delas vem primeiro, também vêm à baila. O caos impera. E o oportunismo, pelo que é, aproveita. Daí as greves. Agora é que é, e quem paga são os doentes, os idosos, os nossos pais, os nossos filhos. Os amigos vão-se safando. Nós pagamos.

Duas coisas. Primeiro: sempre foi assim. Que alguém se queira rodear de gente de confiança. Competente, de preferência, ou mesmo, neste caso do governo, é um must. Essas pessoas de confiança até podem ser amigos, como se fossem "família". O que interessa é que o país esteja em boas mãos. E pelos "casos de polícia" de que temos vindo a ter conhecimento nos anos recentes, não me parece. As coisas mais inadmissíveis têm acontecido. Escuso de dizer nomes. E em muitos casos não estão em causa  pessoas da família. Mas por alguma razão se diz, por exemplo, pessoa x , ou da "família" PS, ou PSD.

É todo um programa. Os Salgados? E o tornear o Fisco, olé. E a caixa Geral dos meus Depósitos, uma roubalheira. Fica-se com fome e sede justiça. Salários vergonhosos. De baixos para muitos, e astronómicos para outros. Ninguém se adianta a, sei lá, uma ala pediátrica do Hospital do Porto? E oiço as queixas, salvo erro de António Mexia, de que em 2017 só terá ganho 2,29 Milhões de euros. Quem perdeu a cabeça? E quem recebe chorudas reformas?

 

Segundo. Já ninguém sabe o que é ética e política. Conhece-se sim o "venha a mim", o salve-se quem puder, o ter. E ter para ter. De que adianta então esta conversa sobre  consciência e bom senso? Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

Andamos a brincar ou quê?

 

Releio as palavras de Antígona a Creonte :"...não creio que os teus decretos tenham tanto poder que permitam a alguém saltar por cima das leis, não escritas, mas imutáveis, dos deuses; a sua vigência não é, nem de hoje nem de ontem, mas de sempre, e ninguém sabe como e quando apareceram. Não iria atrair o castigo dos deuses, com receio da determinação dos mortais: só via na minha frente o morto, sem cuidar do que decretaste.”

E faço BOM PROVEITO! Fico cada vez menos maniqueísta e trabalho cada vez mais! Não vejo nesta podridão razão para desistir. Antes pelo contrario.

Ah e o "tema" do sobrinho (família também, pois então) que vive lá fora, fica guardado para outro post. E dá que pensar. A família é um "coisa" mesmo boa.

 

«É bom esconder o segredo de um rei, 
mas é glorioso revelar e praticar as obras de Deus.»

Assim disse o Arcanjo Rafael a Tobias quando o curou de sua cegueira. (Tb 12,7)

O domingo dá para os dois lados...

07
Abr19

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O domingo é mesmo esperto! Dá para os dois lados. Quem não associa o domingo a missa ou sucedâneos (mais in, supõe-se) espirituais? Espiritualidades com os mais diversos matizes: ambientais, vegnan´s, metendo quase sempre ar livre, correr, e agora as famosas trotinetes. O post não vai analisar as razões de cada postura. Digo apenas que todas têm razão. Mas há uma que tem mais razão que as outras. Digo ainda que é inevitável escolher entre as posturas, ou visões da vida, para sermos mais claros. Sim, porque não escolher é também uma escolha. Será esta a que tem mais razão? E repito: mais! mais razão!  A que me leva a escolhê-la é a melhor. Mas melhor para mim, não porque me apetece ou gosto mais. Não estou a falar de vinho ou de perfume. Falo da vida e da morte. Não pode valer tudo o mesmo. 

Por outro lado, o domingo dá para o outro lado. Mais uma genialidade de Nietzsche. Para o filósofo que morreu em 1.900, e que vai na seiva dos nossos dias mais do que se pensa, o domingo é uma invenção da fraca moral, a da rebanhada cristã, europeia. Para se esquecer a neura dos domigos, para entreteter e fortalecer os fracos. Os fortes, esses, quais gregos reinventados, aguentam os vazios do domingo. Não precisam de missa. Acontece meu caro que o cristianismo não é uma moral. Ai não é não. Nem sequer religião é. O Cristianismo é Cristo e tudo o que dele provém. Soloviev, pela mesma altura, disse-o com todas as letras. A crítica de Nietzsche é bem verdadeira ao descrever a prática cristã, nas suas deformações. Passa porém ao lado do cristianismo. Tiro na água, meu caro.

Tenho meditado alguns textos dó filósofo alemão onde eu apareço nalgumas dessas deformações. Mas vejo-me principalmente na exaltação da vida, forte. Mas ele não sabe que está é a descrever a vida um abundância que Deus veio trazer. É este o sentido da Terra:  Cristo. Mas a cultura ainda anda de cócoras. Até se baba com os Nietzsche's de hoje. São tantos! Eu devoro tudo. É meu!

Leiam também, e BOM PROVEITO. Já agora um bom domigo...

 

  

«Together»

06
Abr19

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Neste Go West, quero sublinhar a geografia espiritual. Adoro a bela América de costa a costa, adoro New York (já o escrevi muitas vezes a explicar porquê) ,  e esta música que ontem ouvi de novo, leva-me a outro lugar. O sol deita-se e ficamos fora do tempo. Entre o dia e a noite. Aí nos inspiramos e revigoramos. Alavancam-se o presente, o passado e o futuro, num silêncio que grita pelo que mais desejo. Alarga-me, escalo-me e só quero essa experiência. O sol vai desaparecendo, mas não o abraço, nem a visão, nem os beijos. Guardo. São meus. E ajoelho-me à Beleza. Ela encarna de novo, como no Prólogo do Evangelho de S.João.

Não, não me diluo no todo, mas sim sou mais "eu". Trago a experiência dentro de mim, sem que seja um dado adquirido. Cada dia é mais, se eu o quiser. É que dentro de tudo o que nos condiciona eu posso dizer sim! Ou não. A correria é a absoluta insensatez porque é viver fora de mim, em segunda mão. E eu não quero. Eu quero ir por dentro, pelas seivas. Eu quero vir na corrente que veio da nascente, e a traz consigo.  A vida é um desaguar permanente, até à foz.

Eu exigo de mim própria esta vida. Menos é vegetar. Cada dia peço à fonte. A quem haveria de pedir? Sim porque nisto a solução não está em mim. Não sou dona das chaves da vida e da morte. Tenho que pedir.

Claro, eu faço uma parte essencial. O ditado diz que  Deus ajuda quem se ajuda. Mulher, mãe, profissional, "eu".

 Tenho verificado que este "together" é o caminho. Mas não é uma soma de pessoas. É a mais valia de sermos humanos, todos e cada um. E que é ser humano?

Os desgarrados também o são, humanos, mas faltou-lhes e falta-lhes o que lhes devemos. E quantas vezes não sou eu também desgarrada? A injustiça, o bem des-comum, é uma grande sacanice.

É preciso trabalhar para que o sol se deite, e continue aceso em nós. Podem chamar a isto poesia, ou ingenuidade. Eu chamo-lhe antes a grande política.

 

«É bom esconder o segredo de um rei, 
mas é glorioso revelar e praticar as obras de Deus.»

Assim disse o Arcanjo Rafael a Tobias quando o curou de sua cegueira. (Tb 12,7)

 

LBGT QUÊ?

03
Abr19

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O que me impede de ser uma zebra? A pergunta é extremamente lógica. Sim, porque a razoabilidade do LGTBQ  & Companhia ilimitada tem simplesmente como critério o que eu me entendo, isto é, eu é que defino a minha identidade. Isto para dizer que temos diante de nós um mundo surpreendente, prenho de consequências nunca dantes pensadas. Sim porque tudo é possível de querer. E há que aceitar as infinitas identidades, que agora nem nos passa pela cabeça. O que me impede de definir a minha identidade? Nada, ao que tudo indica. Mas será mesmo assim?

No limite, se não consigo definir-me, paciência! Até posso fartar-me e decidir acabar, como que paralisada nas possibilidades. E não há mão que me possa salvar. Era o que faltava!

Por outro lado, há aqui um pormenor decisivo. Ninguém parte do zero. Posso pretender que sim, mas os dados estão lançados. On est jeté. Daqui ninguém escapa, meu amigo. O artista tem as cores, pode misturá-las, mas as cores são as que há. Ninguém cria a partir do nada.

Por isso eu adoro tudo o que é Frankenstein's. Eles bem querem. Adoro aquele ar de "agora é que é", igual às ilusões que me passam ao colo todos os dias. Gosto, como gosto dos filmes de terror em que à noite os túmulos se abrem, a lua bem perto, e vêm todos curtir cá para fora.

O que me impede de ser zebra? No mundo da poesia sim, posso ser zebra. Agora no mundo do jogo lançado, por natureza, eu não sou uma zebra.O que me impede de o ser uma zebra é o que eu sou, uma mulher. O meu tio António pode melhor "mãe" do que eu, e é homem. Não me baralham com questões tão fudamentais como esta. Para fazer confusão chega o VAR.

E também não se confunda "ser isto ou aquilo" como se a natureza fosse algo de estático. Eu sou mulher significa sim que eu me construo cada dia, cada minuto, mas a partir do que há. E construo para mais e melhor. Mas não me esqueço que encontro, baralho e dou. E sou cada vez mais eu. Um dia um filósofo, há muitos anos afirmou que eu sou "dada em natureza para me construir em liberdade." Em desenvolvimento sustentável, acrescento com as palavras de hoje.

Nem me enganem ao falar de que, nalguns casos, há limites; que há doenças. Não. No LGTPQ ad infinitum não é disso que se trata. Nem me venham com a história   dos padres pedófilos. Cada macaco no seu galho

BOM PROVEITO!

 
 
Ensinai-nos a contar os nossos dias, * 
   para chegarmos à sabedoria do coração. 
Voltai, Senhor! Até quando?... * 
   
salmo 89 (90)

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