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Bom Proveito

Bom Proveito

Em que consciência votei

26
Mai19

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Votar em consciência, é da minha  "consciência" que falo. Agora, em que consciência votei?  Quem me diz o que é a Europa? Quem me diz o que é a União Europeia? Quem me diz quem sou? Foi aí que votei. Do que mais me aproxima de mim, condição para me aproximar dos outros.

Deu -me trabalho mas esta parte do trabalho está feita.  Observei. Reflecti. Discerni. Foi uma confusão. Os resultados de hoje são para castigar ou premiar Costa?  Portugal na Europa: como, quando e porquê? As questões complexas são fracturantes ou estruturantes? Pessimismo, optimismo? Desespero ou esperança?  Quem se abstem é fora de jogo. Eu luto pela taça de Portugal. Por uma política de "p" grande, onde não cabem umbigos. Esperança?

Se caminhamos para a morte, é melhor desistir já. Se caminho para a vida, caminho para quem a fez, faz e fará, para quem me prometeu não só a imortalidade, mas também o centuplo já, agora. Por isso é preciso discernir. Sempre. Hoje. Agora. Por isso é preciso um empenho político feito de pequenos grandes gestos e de grandes gestos pequenos. Melhor, em política o tamanho conta. Mas não é o dos centímetros. É o tamanho dos gestos e dos abraços. De quem esqueçe a velha guerra e dá passos que só um homem de coração escancarado sabe dar. Escolhi  e espero que a pontaria tenha sido a certeira. Eu espero.

Joe Berardo é o tema das Europeias

15
Mai19

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Em véspera de eleições europeias, é Joe Berardo que anda na baila, a dominar a Campanha que teve início ontem. Como europeia de todos os costados isto sabe-me a muito pouco.

Tenho participado nuns debates organizados pelo novo centro cultural Santa Joana princesa, em Lisboa. Vale a pena conhecer este novo polo cultural. Fui ontem ao último debate. Ver programa aqui. 
O que se segue é o texto de base, que mostra a complexidade do tema e provoca ao debate.
 
A Europa é um continente complexo que vive actualmente uma encruzilhada exigindo a todos, mas especialmente aos católicos, uma grande vontade de perceber os desafios e de propor caminhos.
A Europa, enquanto realidade geográfica, é composta por 48 Estados! Sim, a Europa no seu todo é bem maior que a União Europeia. Mas a União, projecto político que agrupa 28 Estados membros, apresenta problemas particulares e muitos desafios próprios e tem dentro de si tantas questões que valem para todo o Continente.
Ao longo da História os povos que aqui foram chegando e instalando-se mantiveram a sua identidade e, ao mesmo tempo, descobriram que não estavam sós. Tiveram de se relacionar com os outros povos, e, apesar de tantas vezes se terem guerreado, foram aprendendo a contar com os vizinhos. A certa altura, algo mais profundo apareceu que os fez estar unidos numa esfera mais elevada sem terem de perder nada de bom que fazia parte da sua identidade. Algo que melhorou e purificou o que já existia, mas não apagou o que de bom havia. A unir todos os países europeus, porque a Evangelização foi abraçando mais povos, temos hoje a comum herança cristã. Esta tem como referência a fé e a relação com Deus, mas vai muito além da religião. Ela é passado, mas também é presente e deve ser futuro, se é que ainda cuidamos do que ela ensina. Permanece uma pergunta que não podemos deixar de nos fazer: quais são os ideias e os objectivos que animam hoje as nossas sociedades? Terão ainda esta marca cristã? Os objectivos de quem orienta os destinos dos povos conseguem gerar comunidade ou só conseguem diluir as diferenças
numa massa?
A fé cristã deu forma a um modo de estar, de enfrentar a vida e de compreender a pessoa e a sociedade. Mesmo quando as pessoas se afastam dessa fé, não desaparecem os grandes ideais. Contudo, hoje tudo isso parece posto em causa. A ligeireza com que se emitem muitas opiniões acerca das questões europeias, produto, em geral, de uma reação imediata e tantas vezes superficial a realidades complexas e duradouras, exige de todos, um maior aprofundamento temático. Este é o objetivo que leva o Centro Cultural de Santa Joana a propor um conjunto de debates sobre a Europa para os quais convidámos especialistas em diferentes áreas, a saber: académicos, empresários, políticos, jornalistas e sacerdotes.
Devemos interrogar-nos acerca da agenda social e económica europeia. Num tempo de globalização sabemos bem que não podemos contar só connosco. Mas o que se pretende é ter uma Europa de indivíduos desenraizados e consumistas, meros clientes de um grande hipermercado? Ou, uma casa comum onde cada um, onde cada país contribui com o que têm de específico e de melhor? Será que cada europeu se sente respeitado e até protegido em vista de um projecto que deve envolver todos como protagonistas? E os países: será que ainda se está certo de que cuidar do bem comum é o modo mais eficaz de promover o bem de cada um? Ou entrámos definitivamente numa lógica de concorrência.

O fogo de Notre Dame e a Carochinha

01
Mai19

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As eleições europeias precisavam mesmo disto!  Eram uma vez Doze igrejas francesas saqueadas, profanadas e alvo de actos de vandalismo no espaço de sete dias, durante a segunda semana de Março.

Li isto no Jornal ABC, e dou apenas o exemplo do que aconteceu a 17 de Março, logo após a celebração eucarística do meio-dia, na igreja de Notre-Dame des Enfants (Nossa Senhora das Crianças), na cidade de Nimes, onde foi pintada uma cruz com excrementos. O altar principal foi saqueado assim como o sacrário, tendo sido roubadas as hóstias consagradas que, mais tarde, foram encontradas num caixote do lixo.

 

Não são precisas grandes deduções, nem se pode reconstruir uma catedral. Como que profeticamente, muito antes do incêndio de Paris, bem tocou na ferida o Cardeal Robert Sarah: as Catedrais foram construídas para proclamar a  Fé.

 

A  Europa em debate é outra? Que bandeiras, que demissões-abstensões convivem no vazio das urnas? Os homens decidiram prescindir de Deus, optando por deuses à la carte.  Já se prescindiu de debater.

Não venham agora os senhores da Europa desorientada com vontades de poder, a erguer catedrais sem sentido, a não ser o de um voluntarismo ambicioso de domínio. Uma outra fé. Eu passo. Não a proclamo.

 

Tenho uma agenda incómoda, chata, politicamente incorrecta. Não me impinjam agendas ideológicas, novas éticas mundiais. Já devíamos ter aprendido a licão! Não adiantam os arcos de triunfo. Importa sim a Benedict Option: um livro fantástico que me ofereceram no Natal e que aqui voltará ao BOM PROVEITO. Ruído não nos leva a lado nenhum.