Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Bom Proveito

Bom Proveito

Mulheres poderosas

23
Jul19

cardinal_robert_sarah1584048c.jpg

Cardeal Robert Sahara

 

No dia em que Ursula von der Leyen fez história ao ser eleita para o cargo de Presidente da Comissão Europeia, relembro que hoje a Igreja celebra a festa de uma das três padroeiras da Europa: S.Brígida da Suécia. As outras são Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz. Três grandes santas, três mulheres que, em épocas distintas duas no meio da Idade Média e uma no nosso século se destacaram no amor efectivo pela Igreja de Cristo e pelo testemunho prestado à sua Cruz.

“Não podemos sobreviver se perdermos as raízes. Se perderem as vossas raízes, serão invadidos por outros povos que virão impor os seus valores, a sua cultura e a sua religião. Fico triste ao saber que, hoje, em certas cidades da Holanda, já há mais mesquitas do que igrejas”, lembrou também o Crdeal Robert Sahara.

A ESPERANÇA DE CONSTRUIR (Spes aedificandi) um mundo mais justo e digno do homem, alentada pela expectativa do terceiro milénio já iminente, não pode prescindir da consciência de que de nada serviriam os esforços humanos se não fossem acompanhados pela graça divina:  “Se não for o Senhor a edificar a casa, em vão trabalham os construtores” (Sl 127 [126], 1). Esta é a consideração que devem ter em conta aqueles que, nestes anos, se propõem dar à Europa uma nova ordem que ajude o velho Continente a valorizar as riquezas da sua história, removendo as tristes heranças do passado, para responder com uma originalidade enraizada nas melhores tradições às instâncias de um mundo em mutação.

Não há dúvida que, na complexa história europeia, o cristianismo representa um elemento central e qualificador, consolidado sobre a firme base da herança clássica e das numerosas contribuições provindas dos diversos fluxos étnico-culturais produzidos ao longo dos séculos. A fé cristã plasmou a cultura do Continente e entrelaçou-se inextricavelmente com a sua história, de tal forma que esta não seria compreensível se não se referisse aos acontecimentos que caracterizaram primeiro o grande período da evangelização e, depois, os longos séculos em que o cristianismo, apesar da dolorosa divisão entre Oriente e Ocidente, se confirmou como religião dos mesmos europeus. Mesmo no período moderno e contemporâneo, quando a unidade religiosa se foi fragmentando tanto pelas novas divisões havidas entre os cristãos, como pelos processos de separação da cultura do horizonte da fé, o papel desta última continuou a ser de grande relevo.
O caminho em direcção ao futuro não pode prescindir deste dado, e os cristãos são chamados a tomar uma renovada consciência disto, para evidenciar a sua constante potencialidade. Eles têm o dever de oferecer, para a construção da Europa, uma específica contribuição, que será tanto mais válida e eficaz, na medida em que souberem renovar-se à luz do Evangelho. Desta forma, far-se-ão continuadores da longa história de santidade que percorreu as várias regiões da Europa durante estes dois milénios, em que os santos reconhecidos oficialmente nada são senão os vértices propostos como modelos para todos. De facto, numerosos são os cristãos que, com a sua vida recta e honesta, animada pelo amor a Deus e ao próximo, alcançaram nas mais variadas vocações consagradas e laicais uma santidade verdadeira e amplamente difundida, ainda que oculta.

(cfr. CARTA APOSTÓLICA EM FORMA DE “MOTU PROPRIOPARA A PROCLAMAÇÃO DE SANTA BRÍGIDA DA SUÉCIA, SANTA CATARINA  DE SENA E SANTA BENEDITA DA CRUZ  CO-PADROEIRAS DA EUROPA

JOÃO PAULO PP. II
PARA PERPÉTUA MEMÓRIA  dado em Roma, junto de São Pedro, a 1 de Outubro de 1999, vigésimo primeiro ano de Pontificado)

 

Madalena, eu?

22
Jul19

madalena.jpg

Que tenho eu a ver com Madalena? E vem isto a propósito do quê? Por ser católica, já me chamaram de "pessoa resolvida", intolerante, numa palavra, ostracisada na minha certeza de pertencer à Igreja. Que já não oiço os outros, que os julgo, que me considero num ponto de vista superior. Uma emproada que não respeita a liberdade. Para cada afirmação que fiz faria um livro.

Mas como isto é um Blog, registo apenas que a liturgia de hoje celebra a Festa da Santa Maria Madalena, que eu como Ela vejo o Senhor, confundindo-O às vezes com o jardineiro. Tal como ela, vou a correr contar aos outros que O vi, vivo, ressuscitado. Às vezes esqueço-me. Mas cada vez a certeza aumenta. Tenho quem mo lembre. O que seria de mim sem esta Companhia? Madalena, eu? Sim. E sigo em frente a gritar baixinho que Ele está aqui.

 

Amoris Laetitia

18
Jul19

candelabro.jpg

"Toda a casa é um candelabro" Jorge Luís Borges, cit. in Amoris Laetitia nº69

Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimónio ...o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens  - Papa Francisco - Relatio Synodi , 18 .10.2014 - nº2

 

"O Papa das Famílias» é o tema do encontro que reúne em Lisboa o biógrafo do Papa e um teólogo jesuíta

O Colégio São João de Brito, em Lisboa, recebe, no próximo dia 18 de julho pelas 21h00 a iniciativa que vai analisar a “família” a partir da Exortação Apostólica Amoris Laetitia.

O biógrafo do Papa Francisco, Austen Ivereigh, e o teólogo jesuíta, James Keenan, vão estar presentes para analisarem o documento e o pensamento do Papa Francisco bem como o modo como o documento tem sido “acolhido e implementado”, revela comunicado enviado ao EDUCRIS.

“Este documento, sobre o amor na família, tem uma génese e um contexto próprios dentro deste pontificado. E o seu texto inclui alguns pontos que se revelaram críticos e nem sempre bem acolhidos por alguns sectores dentro da própria Igreja”, lê-se.

A conferência «O Papa das famílias» é uma organização conjunta da Pastoral da Família da Companhia de Jesus e da revista Brotéria."

FONTE: Educris|08.07.2019

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

 

É possível conhecer deus?

17
Jul19

pes-de-bebe-pequeno-fazendo-o-primeiro-passo-no-ch

Depende do que se entende por "Deus" e do que se entende por "conhecer". Para já, não fui eu que começei. Depois há toda uma história da humanidade onde se encontram múltiplas religiões, a traços largos, as religiões monoteístas e politeístas. E em relação ao termo "religião", também não há linearidade.

Há muitas classificações e respetivos critérios. A "agravar" o vago da questão pisam-se aqui, nas religiões, águas que bem se distinguem das águas das ciências.  A distinção entre ciência e religião é por muitos vista até como a prazo, caminhando o tempo para a extinsão da segunda. Que a ciência um dia tudo explicará...

Vem isto a que propósito do que hoje li: "25Naquela ocasião, Jesus tomou a palavra e disse: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos.

26Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. 27Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.» "(Mateus 11,25-27)

Esta indicação da Revelação aos humildes é o primeiro passo : deixar Deus ser Deus e o Homem ser Homem. Dar um passo de cada vez, numa seriedade para com a vida. Numa seriedade de mim para mim, sem a qual  levar os outros a sério é brincar com o fogo.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

Burnout ou Burn in?

16
Jul19

naom_59f2e1d2be59c.jpg

Acabo de ler a notícia de que três professores morreraram no mesmo lapso de tempo. E que os casos vão ser averiguados. Mas isto não se passa apenas com os professores. Todos andamos estafados. O termo usado agora é "burnout".

Agora que vêm algumas  férias vou aproveitar para me desamarrar do que não interessa para nada. As amarras que nos vão matando aos poucos, sem darmos por isso. As falsas prioridades. O que vamos adiando e nos vai entupindo. Custa, eu sei, mas estou decidida. Não vou aqui contar a minha vida, mas sei muito bem o que é preciso cortar. Sem dó nem piedade. Quero conquistar a minha pele, o meu "eu".

Para não ir mais atrás -  porque estas coisas não nascem do nada - , recuo ao mês que passou, quando fiz uns exercícios espirituais, no Rodízio. Três dias em silêncio.

Conheci-o, ao silêncio, e trago-o bem na memória. Mas como se trata de exercício, é preciso praticar.

Retomo tudo outra vez, e em breve darei notícias (talvez no dia de Santo Inácio, no fim do mês). Desse Burn in que re-descobri, o tal fogo que arde sem se ver.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

Ela entrou para o Carmelo quando casei

16
Jul19

Carmelo de S.José.jpg

fotografia do site do Carmelo de Fátima

Hoje é Dia de Nossa Senhora do Carmo. Lembro-me sempre de uma amiga que lá está já há anos. Entrou pouco tempo depois do meu  casamento. Visito-a de vez enquando, e é um gosto. Um consolo. É feliz.

Na fotografia é a 3ª da fila de baixo, a contar da minha esquerda.

"Nós, as Irmãs Carmelitas Descalças, fomos fundadas por Santa Teresa de Jesus e vivemos em conventos de clausura - os Carmelos - dedicadas à vida contemplativa. A vida de um Carmelo é pautada pela oração litúrgica e silenciosa, pela simplicidade, alegria e amizade entre as Irmãs.

Aqui, em Fátima, somos uma comunidade de 18 Irmãs. Damos testemunho da primazia de Deus sobre todas as coisas.

Apesar de estarmos em clausura, vivemos perto das preocupações da Igreja e do mundo e apresentamo-las a Deus nas nossas orações - uma forma de apostolado fecundo e eficaz."

     Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

Vincent Lambert foi morto à sede

15
Jul19

Lambert.jpg

 

Foi notícia nos media a morte do jornalista francês na passada quinta-feira. O que aconteceu? Vem aqui tudo muito bem explicado. Volto a este assunto que não foi devidamente esclarecido. E para que conste. E para que se chamem as coisas pelo seu nome.

Repetir é próprio do ser humano. Grande parte do que fazemos cada dia, não o fazemos todos os dias? Não passam as telenovelas todos os dias? As reais e as de fição? Não comemos todos os dias?

Vincent Lambert não estava em estado vegetativo ou, pelo menos, não estava em estado vegetativo persistente (os diagnósticos de vários srs. drs. são dispares); após um acidente de viação em 2008 ficou tetraplégico devido a uma lesão cerebral grave. Era, portanto, uma pessoa com uma deficiência profunda, mas de resto saudável.

A nossa sociedade vive sim em estado vegetativo. Somos uns vegan cínicos e hipócritas. Porque não se diz que foi mesmo matar?  Depois dizem que os cátolicos são isto e aquilo. Pois somos. Como dizia o Cardeal Cerejeira dos católicos de Lisboa: são pessoas de bem, comem, bebem, e não fazem mal a ninguém. Eram tempos? Não. Tenho as mãos sujas de sangue.

A Vicent foi-lhe tirada a comida e a bebida. Com argumentos que bem espremidos são a peneira a tapar o sol. A sociedade da igualdade perdeu a educação. É a ignorância letal.  Cadê  os ODS, cadê a erradicação da fome, do planeta? Ah pois Lambert era apenas um homem.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

 

A opção de Bento

11
Jul19

S.Bento.jpg

The Benedict option. A Strategy For Christians In A Post-Christian Nation,  de Rod Dreher  (PRENTICE HALL PRESS, 2018). Não é novidade. A novidade está em que, hoje se celebra a Memória de São Bento, abade, que, nascido em Núrsia, na Úmbria, e educado em Roma, iniciou a vida eremítica na região de Subiaco, congregando à sua volta muitos discípulos; depois dirigiu-se para Cassino, onde fundou o célebre mosteiro e compôs a Regra que se difundiu por tantas regiões que ele pôde ser chamado o patriarca dos monges no Ocidente. Paulo VI proclamou-o principal patrono da Europa inteira, na Carta Apostólica Pacis Nuntius (1964)

Onde está a novidade? Está nas perguntas que me estão a ser feitas a mim, hoje. Quero ignorar 3.000 anos de Cristianismo? Quero achar que o mundo vai bem, que nada tenho a ver com o "tempo romano" e a queda de impérios? Conheço o fundador da Ordem beneditina?

Com the Benedict Option  não viro as costas ao mundo, não passo a viver uma vida privada ou qualquer tipo de vida isolada da fé. “A Christianity that is only private,” afirma Dreher , “is not faithful to the testimony of the Gospel. We must say in the public arena what is true, because this is true for the world." E acrescenta: “if not the ‘Benedict Option,’ then what? We cannot keep as Church doing what we are doing, because we are losing, and we are losing seriously.”  “But if we are going to live in the world, we must do that as faithful Christians, being more serious about forming our conscience on the teaching of the Gospel, not on the teaching of the media.”

Neste livro Dreher delineia o que é uma renovação espiritual:  “we live in a time of bishops against bishops, and the laity are frightened. The pope and his predecessors are accused of a cover-up, while others think of a plot. The faith is in grave decline, we have failed in transmitting faith to our children.”

Inventando a vida monástica, Dreher reconhece que  S.Bento de Núrsia lançou o " beginning of a new civilization, and now we Christians are in front of the same situation of the young Benedict. Do we have the courage to turn our backs? Do we want God more or the world more? If we want God more, we make the first step toward the Benedict option.”

Eu vou com eles e desejo também  um Bom proveito aos que vierem!

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

 

Deus veio e preferiu aqueles 12...

10
Jul19

apostolos-pixabay.jpg

Poderia ter sido de outra forma, mas não. Como se lê hoje no Evangelho de S. Mateus, Jesus chamou doze homens a uma Companhia fora do vulgar. Em baixo podem ler-se os seus nomes e a vida que lhes foi confiada

1Jesus chamou doze discípulos e deu-lhes poder de expulsar os espíritos malignos e de curar todas as enfermidades e doenças.

2São estes os nomes dos doze Apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que o traiu.

 5Jesus enviou estes doze, depois de lhes ter dado as seguintes instruções: «Não sigais pelo caminho dos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos. 6Ide, primeiramente, às ovelhas perdidas da casa de Israel. 7Pelo caminho, proclamai que o Reino do Céu está perto.

 

Hoje é assim também.

Pág. 1/2