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Bom Proveito

Bom Proveito

Factos & tristes figuras

04
Set19

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Temos boca é para falar, é verdade. Agora, tenho ouvido tanta coisa que nem acredito que vivo num mundo assim. Ah, pois é, já me tinha esquecido, chegamos finalmente à  era da inteligência, pelo que se vê artificial. Ou foi muito sol na cabeça. O Algarve, os toldos e as bolas de berlim, com ou sem creme, foram o máximo. Mas não me sai da cabeça o panorama deste rectângulo, que em Outubro vai a votos.  E não me sai também este mindset tão cool, que parece até nem haver  fossos entre as qualidades de vidas. Isto sim,  é quase sufocante. Criminosos, os fossos. E a conversa de elevador segue serena e impávida.

Apenas por alto, e porque também tenho ouvidos, deixo uns números. Sim, porque as pessoas são vistas, a maior parte das vezes, como números, sondáveis, bonecos para as nets. E o que nós gostamos de números!

Há umas centenas de pessoas, que desempenharam uns cargos políticos durante algum tempo, e que por isso estão a receber subvenções vitalícias. Ouvi os nomes, na rádio, e não queria acreditar. Não vou aqui repetir os nomes, mas muitos são os de pessoas que hoje ocupam cargos bem pagos, e acumulam com a dita vitalícia. Também ouvi dois nomes de pessoas que recusaram as ditas.   Tudo figuras públicas.

No "outro" lado do planeta há quem viva em roulotes porque é a única forma de estar perto do liceu onde vai - surprise! - dar aulas este ano. O caso que ouvi é o de um professor de 53 anos acabadinho de saber que vai para Faro, deixando o Liceu de Torres Novas (a mulher e o filho), e que ajuda a pagar as chorudas vitalícias. É a vida! Não, não é.  É sim mas é a política a ter há muito deixado de ser a promoção do bem comum.

E depois são os músculos do outro, são as Catrinas desta vida, os reality(?) shows e os direitos das minorias.

Comum é a corrupção dos que nunca fizeram nada a não ser "roubar" os vulneráveis desta vida. Tristes figuras, porque isto não fica assim. Disso tenho a certeza. Porquê se quase tudo parece indicar o contrário? Porque as vidas não acabam nos cemitérios. Não sendo este post um gesto de justiceiro, é só para lembrar aquele amargo de boca e de coração do regresso da festa. Da tristeza do fim de festa.

Eu prefiro a tristeza que chora com os gestos que, por pequenos que sejam, são uma luz, são vitórias que arrancam do mal o bem. Sou testemunha. E sou  uma grande minoria, feita do mesmo barro de que todos somos feitos. Se calhar até aceitava a vitalícia...

De que Proveito?

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)