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Bom Proveito

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Noa Pothoven: uma vitória macabra

05
Jun19

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Leio no Observador : "Eutanásia. Noa conseguiu morrer aos 17 anos depois de várias violações na infância". O título cheira a  vitória. Mas é simplesmente  uma vitória macabra.

A verdade é que Noa não conseguiu foi viver. A um jornal referido no mesmo Observador, a jovem conta a primeira vez que lhe foi recusada a Eutanásia, por não ter ainda 21 anos, e confessou não aguentar mais.  De facto, acabou por ser morta aos 17 ANOS...

Nascida em Arnhem, escreveu uma autobiografia, publicada há um ano e premiada várias vezes na Holanda. Ficar viva "não tinha qualquer significado", porque não tinha superado os problemas psicológicos desde que sofreu os abusos sexuais, lê-se. Mas será que viria a poder fazê-lo?

Na página da jovem holandesa,  liam-se incentivos de ânimo. Agora tem mensagens de dor pela sua morte. Conseguiu que a eutanásia lhe fosse concedida e morreu no domingo, em casa, rodeada de amigos.

Eu não sei tirar dores e  sofrimentos. E digo com Agustina que não precisamos de pessoas que nos digam o que está errado mas daquelas que indicam soluções.

Eu não tenho soluções. Mas tenho sofrimento e companhia. Lembra-me o que disse aquela idosa que, numa recente manifestação pela vida,  contou que pediu ao seu pai para a matar com a caçadeira. A resposta do pai: "isso é uma crise, filha!" E o que ela está agora tão bem.

Não quero ser ligeira. Por certo Noa precisava de tratamento, de carinho.  De ser violada é que não.

Há crises e crises. Abraçem-me, é o que diz o meu mais íntimo de mim. Grito. Não estarei muito longe da humanidade de Noa. E digo com  toda a convição que uma se uma história não acaba bem, é porque não era ainda o final. É assim que vivo, nesta sociedade que se afunda em insensatez. Sempre nos matamos uns aos outros, fomos nós que a matamos. Esqueçemos que não somos senhores da vida. Nem da morte.

 

Exortai-vos cada dia uns aos outros,
até ao dia que se chama «Hoje» (Hebr 3, 13)

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